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Embolização Uterina
Quais tipos de miomas uterinos respondem melhor à embolização?

Se já recebeu o diagnóstico de mioma uterino, é provável que tenha em mãos um relatório repleto de termos técnicos: intramurais, subserosos, submucosos ou pediculados. Mais do que nomes, estas classificações são “mapas” que nos indicam a taxa de sucesso do tratamento e que explicam porque sente aquela pressão constante na bexiga ou porque os seus ciclos menstruais estão cada vez mais incapacitantes.
Embora a embolização das artérias uterinas (EAU) seja uma solução global para o útero, a anatomia e a biologia de cada nódulo determinam a rapidez e a eficácia da resposta. Neste artigo vamos analisar quais os cenários onde a radiologia de intervenção apresenta os resultados mais impressionantes.
1. Maior eficácia de resposta: miomas intramurais
Os miomas intramurais (localizados na parede muscular do útero) são, por excelência, os melhores candidatos à embolização.
Porquê: estão totalmente rodeados pelo miométrio, uma zona altamente vascularizada. Assim, quando bloqueamos o fluxo sanguíneo, estes miomas sofrem uma isquemia (morte celular) muito eficaz.
Resultado: apresentam as maiores taxas de redução de volume e uma melhoria quase imediata nos sintomas de compressão (pressão na bexiga) e hemorragias abundantes.
2. Controlo de hemorragias: miomas submucosos
Localizados logo abaixo do endométrio, estes são os grandes responsáveis por anemias e períodos menstruais exaustivos.
A resposta: respondem de forma muito positiva à embolização no que toca ao controlo do sangramento.
O diferencial: em certos casos, após a embolização, o útero pode expulsar naturalmente o mioma (nascimento do mioma), o que resolve o problema de forma definitiva sem necessidade de cirurgia para o retirar.
3. O desafio dos miomas pediculados
Este é um ponto onde a prática clínica evoluiu significativamente. Os miomas subserosos pediculados, aqueles que se projetam para fora do útero, ou seja que se ligam ao útero por uma haste ou pedículo estreito, eram, no passado, considerados uma contraindicação para a embolização.
Abordagem atual: Hoje, com o recurso a técnicas avançadas de microcateterismo, conseguimos tratar muitos destes casos com total segurança. A decisão depende, contudo, da anatomia do pedículo. Se a base for larga (o que chamamos de base séssil), a resposta à embolização é excelente. Nos casos de pedículos muito finos, existe uma avaliação criteriosa para determinar se a embolização é a via mais adequada ou se a laparoscopia oferece maior segurança para a paciente. O objetivo é sempre o resultado mais eficaz com o menor risco possível.
A biologia do mioma: por que a vascularização é um fator determinante?
Para além da localização, a vascularização do mioma é o maior preditor de sucesso da embolização. É aqui que se percebe se o mioma está ativo ou se é apenas um resquício.
- Miomas hipervascularizados: se o seu exame indica que o mioma tem uma rede densa de vasos, é o candidato perfeito. Quanto mais sangue o mioma consome, mais sentirá o impacto imediato da embolização. A resposta nestes casos é rápida, com uma redução volumétrica acentuada.
- Miomas calcificados: já se o seu relatório menciona calcificações, estamos perante nódulos que o próprio organismo já começou a combater. Como já têm pouco fluxo sanguíneo, funcionam como cicatrizes inertes no útero. Nestas situações, a embolização pode ter pouco benefício adicional, uma vez que o tecido já não está ativo.
Tratar o útero como um todo
Uma das maiores vantagens da embolização é o facto de ser um tratamento pan-uterino. Mas o que significa isto na prática?
Ao contrário da cirurgia (miomectomia), onde o cirurgião retira apenas os nódulos que consegue visualizar e alcançar manualmente, a embolização atua na rede vascular de todo o órgão.
- Tratamento global: atua nos miomas dominantes (aqueles que lhe causam dor ou hemorragia) e, simultaneamente, interrompe o fornecimento de sangue a micro-miomas que possam estar escondidos ou que sejam ainda pequenos demais para serem detetados nos exames.
- Prevenção: esta abordagem reduz a probabilidade de novos miomas crescerem a curto prazo, algo que acontece frequentemente após cirurgias onde apenas os grandes nódulos foram removidos.
Se o seu caso envolve múltiplos miomas de diferentes tipos e localizações, esta visão global é, muitas vezes, a chave para um resultado duradouro e para a preservação definitiva do seu útero.
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