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Embolização das Varizes Pélvicas
Dor pélvica crónica: quando pode não ser um problema ginecológico?

Dor pélvica crónica: quando pode não ser um problema ginecológico?
Quando uma mulher apresenta dor pélvica persistente, a investigação começa, naturalmente, pela ginecologia. Endometriose, adenomiose, miomas, quistos ováricos ou outras patologias ginecológicas são algumas das causas que podem estar na origem dos sintomas.
Mas nem sempre a resposta está no útero ou nos ovários.
Quando a dor se mantém e os exames ginecológicos não identificam uma alteração que justifique os sintomas, é importante considerar outras possibilidades. A região pélvica reúne diferentes órgãos, estruturas e vasos sanguíneos, e qualquer um deles pode estar envolvido na origem da dor.
Quando os exames não explicam os sintomas
A ausência de alterações nos exames não significa que a dor não tenha uma causa. Pode simplesmente significar que é necessário alargar a investigação.
O aparelho urinário, o sistema digestivo e o pavimento pélvico são algumas das estruturas que podem estar envolvidas na dor pélvica crónica. Entre as causas possíveis encontram-se alterações musculares, doenças do foro gastrointestinal ou urinário e, em determinadas situações, problemas relacionados com a circulação venosa.
A história clínica é fundamental nesta fase. A forma como a dor se manifesta, a sua duração e a existência de sintomas associados podem fornecer pistas importantes para orientar os exames seguintes.
Quando a origem pode estar nas veias da pélvis
Uma das possibilidades a considerar é a doença venosa pélvica, anteriormente conhecida, em alguns contextos, como Síndrome de Congestão Pélvica.
Esta condição está associada a alterações do fluxo sanguíneo nas veias da pélvis. Quando existe refluxo ou dificuldade na drenagem venosa, pode ocorrer acumulação de sangue e dilatação das veias, dando origem a varizes pélvicas. A dor pélvica crónica é uma das manifestações possíveis, mas algumas mulheres apresentam também:
- Sensação de peso ou pressão na região pélvica;
- Dor durante ou depois das relações sexuais.
Estes sintomas não permitem, por si só, estabelecer um diagnóstico. No entanto, quando persistem sem uma explicação evidente, a componente vascular deve ser considerada no contexto de uma avaliação multidisciplinar.
O papel da Radiologia de Intervenção
Quando existe suspeita de uma origem vascular, a Radiologia de Intervenção pode contribuir para a investigação através do estudo dirigido da circulação venosa pélvica.
A avaliação procura identificar alterações no fluxo sanguíneo, como refluxo venoso ou obstruções, e perceber se estas alterações podem estar relacionadas com os sintomas apresentados. Quando existe uma doença venosa pélvica sintomática e a avaliação demonstra que a intervenção pode ser benéfica, a embolização venosa é uma das opções de tratamento.
É um procedimento minimamente invasivo que permite tratar as veias responsáveis pelas alterações do fluxo sanguíneo através de um acesso vascular, sem necessidade de cirurgia aberta. A indicação para tratamento deve, contudo, resultar da conjugação entre a história clínica, os sintomas e os resultados da avaliação imagiológica e vascular.
Procurar a origem da dor
A dor pélvica crónica pode ter diferentes causas e nem sempre é possível identificá-la numa primeira avaliação.
Quando a investigação ginecológica não encontra uma explicação para os sintomas, considerar outras áreas pode ser determinante para chegar ao diagnóstico. A doença venosa pélvica é uma dessas possibilidades e deve ser avaliada quando o quadro clínico é compatível.
Mais importante do que associar automaticamente a dor a uma determinada doença é compreender a sua origem. Só a partir desse conhecimento é possível decidir qual a abordagem mais adequada para cada doente.
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