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Embolização Prostática

Porque é que algumas pessoas não são candidatas à embolização?

Porque é que algumas pessoas não são candidatas à embolização?

Na medicina, a decisão de não avançar com um procedimento pode ser tão importante quanto a decisão de o fazer.

Receber a notícia de que a embolização não é o caminho mais indicado para o seu caso pode, num primeiro momento, gerar apreensão. Perante a necessidade de resolver um problema de saúde, a possibilidade de o fazer através de uma via minimamente invasiva e com uma recuperação rápida é sempre o cenário mais desejado. 

Contudo, esta decisão clínica não deve ser encarada como uma má notícia. Pelo contrário, é o reflexo de um princípio inegociável na nossa prática: a seleção rigorosa de cada doente é o que garante a eficácia do tratamento e a sua total segurança.

A viabilidade do acesso vascular

A embolização é um procedimento endovascular. O acesso à lesão é feito ao navegar pelo interior dos vasos sanguíneos do próprio corpo, e para que isso seja possível, esse caminho tem de estar, em primeiro lugar, disponível.

Em alguns doentes, as artérias podem apresentar um grau avançado de aterosclerose, uma acumulação de depósitos que torna os vasos rígidos e difíceis de percorrer. Quando a limitação é anatómica, forçar o procedimento pode ser uma escolha imprudente. Reconhecer esse limite é, também, parte de uma prática clínica responsável.

A dependência do fluxo sanguíneo

O sucesso da embolização assenta na interrupção do fornecimento de sangue à lesão. Para que isso funcione, a lesão tem de depender ativamente desse fluxo.

Miomas uterinos muito antigos e já calcificados, com uma vascularização naturalmente reduzida, são um bom exemplo. Se a lesão já quase não recebe sangue, cortar esse fornecimento não trará a redução de volume nem o alívio dos sintomas que a doente procura atenuar.

A anatomia e a localização da lesão

A forma como a doença se desenvolve no organismo determina sempre o caminho mais seguro a seguir.

Na ginecologia, existem miomas que crescem para o exterior do útero, ligados a ele apenas por uma haste muito fina, os chamados miomas subserosos pediculados. Para estes casos anatómicos específicos, a cirurgia é a via mais adequada. Encaminhar a doente nesse sentido é a decisão médica correta.

A verdadeira origem dos sintomas

Por vezes, os sintomas são limitantes, mas a sua origem não é a que se antecipava.

Um homem com queixas urinárias severas pode apresentar a próstata aumentada num exame de rotina e, ainda assim, o problema principal residir no mau funcionamento da própria bexiga. Nestes casos, tratar a próstata não resolveria o desconforto do doente.

O valor de um “não” fundamentado

A embolização é uma ferramenta terapêutica com resultados muito relevantes em muitas situações clínicas. Mas o seu valor depende de ser utilizada no momento certo, para o problema certo e, fundamentalmente, na pessoa certa.

Quando a avaliação demonstra que não é o caso, dizer não de forma honesta e fundamentada é, muitas vezes, a melhor forma de ajudar quem confia no nosso trabalho.

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      2026-08-05T17:44:21+01:00Agosto 5th, 2026|Embolização Uterina|
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