Fibromiomas Uterinos2021-06-01T16:00:12+00:00

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O que são Fibromiomas?

Os Fibromiomas, Leiomiomas ou Miomas são tumores benignos que nascem nas paredes do útero. A sua dimensão pode ir de alguns milímetros a mais de 20 cm.

Entre 20 a 40% das mulheres em idade fértil são portadoras de fibromiomas, sendo a sua frequência de cerca de 70% nas africanas.

paciente fibromiomas

O que é o útero?

O útero é um órgão do sistema reprodutor feminino que está localizado na região pélvica, atrás e por cima da bexiga, adiante do recto, continuando-se inferiormente pela vagina.

Trata-se de um órgão com uma cavidade central, a cavidade uterina, que está revestida pelo endométrio. A parede uterina está formada em grande parte por uma camada muscular denominada de miométrio.

O endométrio prolifera durante o ciclo menstrual e descama durante a menstruação, sendo exteriorizado através da cavidade uterina para a vagina e daí para o exterior.

O endométrio e o miométrio estão separados por uma camada denominada de linha juncional ou zona de transição, uma vez que demarca a transição entre o endométrio e o miométrio.

O útero tem diferente zonas, sendo que o fundo do útero é a mais superior, o colo do útero a mais inferior e o corpo do útero a maior, entre o fundo e o colo do útero. A cavidade uterina comunica com o interior das trompas ou tubas uterinas (trompas de Falópio) ao nível das extremidades laterais do fundo uterino.

Que tipo de fibromiomas existem?

De acordo com a localização dos fibromiomas dentro do útero, classificam-se em:

Fibromiomas sub-serosos – desenvolvem-se na porção externa da parede do útero e crescem para fora.

Fibromiomas intra-murais – os mais frequentes que se desenvolvem na parede uterina, no miométrio.

Fibromiomas sub-mucosos – são os menos frequentes, desenvolvem-se na superfície interna das paredes da cavidade uterina, no endométrio, crescendo para o interior da cavidade uterina.

fibromiomas uterinos

Quais as causas para o desenvolvimento dos miomas?

Os Miomas são tumores benignos que se desenvolvem na parede muscular do útero (miométrio). São tumores benignos que se desenvolvem desde o início da idade fértil após a primeira menstruação e que terminam com a menopausa. Isto porque são tumores que estão dependentes do estímulo hormonal da progesterona e estrogéneos para se desenvolverem e crescerem.

Os principais factores de risco para o desenvolvimento de Miomas são a idade e a raça. São muito raros na adolescência, passando a ser cada vez mais frequentes até a mulher alcançar a menopausa.

Ou seja, uma mulher entre os 40 e 50 anos tem uma probabilidade de vir a ser diagnosticada com miomas muito superior a uma mulher entre os 20 e 30 anos de idade.

Frequentemente tratamos doentes entre os 30 anos e os 50 anos de idade. As mulheres de etnia negra têm 2 a 3 vezes mais probabilidade de vir a desenvolver miomas e de terem mais queixas do que as mulheres de etnia branca.

As mulheres que tenham estado grávidas têm menor probabilidade de desenvolver miomas, uma vez que a a gravidez tem sido associada a uma redução nas dimensões dos miomas.

Dieta rica em carnes vermelhas, ingestão de álcool, dieta pobre em legumes e deficiência de Vitamina D tem sido associada ao desenvolvimento de miomas. Dieta com ingestão de 4 ou mais porções de lacticínios diariamente está associada a uma menor probabilidade de vir a ter miomas.  Os miomas sintomáticos (com queixas) ocorrem em aproximadamente 25%-50% das mulheres em idade fértil.

O que é a Fibromiomatose e os seus Sintomas?

Quando os miomas são muitos, denomina-se de fibromiomatose.

Os Miomas podem não dar sintomas e ser apenas detectados em exames de rotina. Contudo, tanto a presença de fibromiomas como de fibromiomatose podem levar a sintomas como:

  • Períodos menstruais prolongados por vezes mesmo com hemorragias que podem conduzir à anemia,
  • Dor na região pélvica e/ou na região lombar,
  • Dor durante as relações sexuais,
  • Sensação de peso e aumento de volume do abdómen,
  • Obstipação,
  • Frequente necessidade ou dificuldade em urinar,
  • Abortos de repetição.

Quais as opções de tratamento para os Fibromiomas?

Quando sintomáticos, os miomas devem ser tratados. O primeiro passo é o tratamento médico que passa geralmente por anti-inflamatórios, medicamentos à base de hormonas, pílulas contraceptivas ou dispositivos intra-uterinos.

Muitas vezes o efeito é temporário verificando-se, após a sua interrupção aumento de dimensões dos miomas e das hemorragias ou outras queixas. Desta forma, frequentemente é necessário um tratamento mais invasivo.

Até há alguns anos atrás, a única opção de tratamento era cirúrgica, removendo por cirurgia os miomas (miomectomia) ou o útero todo (histerectomia).

A Embolização Uterina foi desenvolvida como uma técnica minimamente invasiva, como alternativa à cirurgia, para poder tratar os fibromiomas, de forma menos dolorosa, com recuperação mais rápida e preservando o útero, possibilitando futuras gravidezes.

A miomectomia – consiste na remoção de cada um dos fibromiomas. Poderá não ser o ideal se os fibromiomas forem numerosos ou de grandes dimensões. Nestas situações, a embolização é a única alternativa à Histerectomia. A histerectomia – Envolve a remoção da totalidade do útero. Elimina definitivamente os fibromiomas, mas tanto a estadia hospitalar como o período de convalescença são longos. E, claro a histerectomia elimina a possibilidade de uma posterior gravidez.

O que é a embolização uterina?

A Embolização Uterina foi iniciada em Paris, em 1995, por um grupo multidisciplinar de radiologistas de intervenção e ginecologistas que tinham experiência em embolização uterina para controlar a hemorragia após o parto.

Experimentaram utilizar a mesma técnica para tratar electivamente mulheres com miomas, com muitas queixas de hemorragia uterina. Em 1999 começamos a implementar esta técnica em Portugal, onde fomos pioneiros.

Somos o grupo a nível nacional com maior experiência em embolização uterina e temos das maiores casuístas publicadas a demonstrar a segurança e eficácia da embolização uterina para os miomas e mais recentemente para a adenomiose.

Publicamos as potencialidade em engravidar após este tratamento numa escala mundial. Trata-se de um tratamento não invasivo, guiado por imagem, realizado por radiologistas de intervenção. É realizado sob anestesia local, sem necessidade de bisturi, nem de incisão cirúrgica na pele.

Apenas é introduzido um pequeno tubo de plástico (catéter) numa artéria da virilha ou punho que guiamos por imagem até ao útero. No útero realizamos a embolização, ou seja, a obstrução das artérias que nutrem os miomas.

Trata-se de um tratamento muito simples e seguro, feito sem dor, em 30-60 minutos. As doentes entram de manhã e têm alta ao fim do dia, podendo retomar toda a vida normal e voltar ao trabalho após 3 a 5 dias.

Trata-se de uma alternativa à cirurgia muito útil pois as mulheres têm menos dores e a recuperação é muito mais rápida. Os riscos de complicações graves é inferior e a taxa de sucesso no tratamento das queixas é superior a 90%, próximo do da cirurgia.

Além disso, não são realizadas incisões ou cortes na pele, não é necessário o bisturi e não temos de “abrir” a barriga para remover o útero. Não é preciso anestesia geral e não há perdas de sangue com o tratamento.

Acima de tudo, com a embolização, a mulher pode preservar o útero, sendo poupada a tratamentos mais invasivos com potencial para mais complicações e mais graves.

Desta forma, mulheres que queiram preservar o útero ou mulheres que queiram engravidar e que a cirurgia possível seja apenas a remoção de todo o útero (histerectomia), a embolização deverá ser fortemente considerada.

Apesar de todas estas vantagens da embolização uterina relativamente à cirurgia, menos de 7% das mulheres com adenomiose têm acesso à embolização uterina.

Isto deve-se ao facto de haver pouca informação e divulgação desta técnica em geral e porque, mesmo dentro da comunidade médica, muitas mulheres não têm acesso a uma consulta de radiologia de intervenção para avaliarem as hipóteses de poderem ser embolizadas em vez de serem operadas.

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Não. A embolização uterina é minimamente invasivo, indolor ou praticamente indolor e dura cerca de 30m. A doente sai do hospital pelo seu próprio pé no próprio dia até já pode regressar a casa de carro, comboio ou avião.

Algumas mulheres toleram tão bem a embolização uterina que estão no recobro “como se tivessem ido ao shopping comprar meias”, de tão confortáveis/bem que se sentem. Contudo, nas horas a seguir à embolização poderão haver algumas queixas de dor ou náuseas e vómitos que controlamos com medicamentos que prescrevemos.

Sim. Mesmo nas mulheres com muitos miomas ou com miomas muito grandes, a embolização uterina é eficaz, pois permite tratar todo o útero e desta forma, todos os miomas. Os miomas ficam todos tratados e vão reduzindo de tamanho ao longo dos meses seguintes.

É normal alcançar reduções no tamanho do útero e dos miomas de 50% a 80%. Ou seja, o útero e os miomas ficarem metade ou menos de metade do tamanho que tinham antes. Em alguns casos, os miomas podem reduzir tanto que deixam de se ver.

Algumas doentes dizem que “pensava que a embolização apenas funcionava para miomas pequenos ou em doentes com poucos miomas”. Após explicarmos como funciona a embolização uterina fica mais claro que permite tratar mesmo as doentes com miomas muito grandes ou muitos miomas.

Esta é uma pergunta que muitas mulheres se fazem depois de ouvirem falar, ou depois de serem tratadas por nós. A resposta não é linear, mas em Medicina, procedimentos relativamente novos levam muito tempo a serem aceites pela comunidade médica em geral e ainda mais tempo a serem implementados.

Muitos médicos ainda desconhecem esta opção de tratamento. Os especialistas na área, em alguns casos também não conhecem a embolização uterina ou então têm medo em referenciar as doentes, pois não têm muita experiência.

Muitos médicos pensam que a embolização uterina pode ser perigosa, levando a necrose do útero, complicações infecciosas e que não permite que as mulheres venham a engravidar no futuro. Tudo isto são mitos e falsas crenças que advêm da falta de experiência com este tratamento.

Nós já tratamos mais de 2000 doentes com fibromiomas uterinos com a embolização uterina, sem complicações. Temos uma das maiores séries de mulheres com fibromiomas uterinos que conseguiram engravidar após a embolização uterina.

Não. Os tumores malignos do útero que se desenvolvem na camada muscular da parede uterina (conhecida como miométrio) não se desenvolvem de miomas. Os miomas são tumores benignos do miométrio e não estão relacionados com os tumores malignos do miométrio (também conhecidos como leiomiossarcomas).

Os tumores malignos do útero são malignos à partida. O que acontece é que é impossível ou muito difícil distinguir por radiologia (RM ou TAC ou ecografia) os miomas dos tumores malignos.

Desta forma, na maioria dos casos só se descobre que o tumor era maligno depois da cirurgia ou quando o tumor cresce muito rápido em pouco tempo.

À partida, todos os tumores do miométrio são assumidos como benignos, ou seja, são miomas. Isto porque os miomas são muito frequentes (até 80% da população feminina) enquanto que os tumores malignos do miométrio são extremamente raros – menos de duas mulheres por cada 100.000 (0.002%).

Ou seja, não tem lógica alterar o plano de tratamento de uma mulher com um tumor do útero (miométrio) que é praticamente sempre benigno – mioma – só porque pode ter uma probabilidade de ser maligno de 0.002%. Por outras palavras, todos os tumores do miométrio são miomas até prova em contrário.

Estudos mostram que cerca de 90% das mulheres nas quais foi efetuada a embolização teve melhoria significativa ou total da hemorragia, dor e outros sintomas. Na nossa experiência, presentemente, obtém-se bons resultados em cerca de 90% dos casos.

Com o aumento de números de fibromiomas e das suas dimensões verifica-se uma redução da percentagem de sucesso que pode baixar para 80% ou mesmo 70%, quer dizer que 20% ou 30% dos pacientes podem não melhorar.

Os fibromiomas que melhor respondem à embolização são os submucosos e os intramurais. Em caso de insucesso a embolização pode sempre ser repetida. Nos fibromiomas múltiplos ou de grandes dimensões a embolização é a única alternativa à histerectomia.

Trata-se de uma alternativa à cirurgia muito útil pois as mulheres têm menos dores e a recuperação é muito mais rápida. Os riscos de complicações graves é inferior e a taxa de sucesso no tratamento das queixas é superior a 90%, próximo do da cirurgia. Além disso, não são realizadas incisões ou cortes na pele, não é necessário o bisturi e não temos de “abrir” a barriga para remover o útero ou os miomas.

Não é preciso anestesia geral e não há perdas de sangue com o tratamento. Acima de tudo, com a embolização, a mulher pode preservar o útero, sendo poupada a tratamentos mais invasivos com potencial para mais complicações e mais graves. Desta forma, mulheres que queiram preservar o útero ou mulheres que queiram engravidar e que a cirurgia possível seja apenas a remoção de todo o útero (histerectomia), a embolização deverá ser fortemente considerada. Apesar de todas estas vantagens da embolização uterina relativamente à cirurgia, menos de 7% das mulheres com miomas têm acesso à embolização uterina.

Isto deve-se ao facto de haver pouca informação e divulgação desta técnica em geral e porque, mesmo dentro da comunidade médica, muitas mulheres não têm acesso a uma consulta de radiologia de intervenção para avaliarem as hipóteses de poderem ser embolizadas em vez de serem operadas.

Sim, após a menopausa os miomas diminuem de tamanho e deixam de dar sintomas ou queixas. Contudo, frequentemente dão queixas muito severas como hemorragia uterina intensa, dores pélvicas, aumento do tamanho da barriga ou compressão da bexiga e recto. Estas queixas podem ser tão graves que levem a mulher a procurar assistência médica urgentemente, pois chegam a ter anemia (redução dos valores de hemoglobina no sangue) por perderem muito sangue durante a menstruação. Infelizmente, muitas vezes as queixas são tão severas que a mulher nos seus 30 ou 40 anos não pode esperar 5 a 10 anos pela menopausa. Claro está que, se os miomas não derem queixas ou sintomas, não têm indicação para ser tratados. Apenas tratamos miomas sintomáticos, ou seja, que dêm queixas às doentes. Os restantes podem ser vigiados até à menopausa pois não vão degenerar em malignos nem afetar a qualidade de vida das doentes.

O pior sintoma que os miomas podem dar é mesmo a hemorragia uterina que tem um enorme impacto negativo imediato. Ou seja, uma mulher que perca enormes quantidades de sangue durante 5 dias da menstruação, a precisar de vários pensos por dia, por vezes mesmo de toalhas na cama e que esteja sempre preocupada em poder sujar a roupa com sangue não tem condições para levar uma vida normal. A qualidade de vida fica fortemente prejudicada. Além disso pode levar a anemia que se manifesta por falta de forças e um cansaço geral que impede que a mulher tenha uma actividade diária dentro do deu normal. A infertilidade também é uma forma de manifestação dos miomas bastante angustiante. Não urgente, uma vez que nestas situações a mulher pode até nem ter outras queixas, mas complexa na sua abordagem. Nós temos das experiências mais vastas em gravidez após embolização uterina mesmo a nível mundial, mostrando que é possível engravidar após o tratamento dos miomas com a embolização uterina.

Após o tratamento por embolização, a maioria das doentes não tem qualquer dor. O recobro é feito numa sala próxima à sala de angiografia onde foi feita a embolização. Se o acesso vascular para a colocação do cateter foi realizado no punho esquerdo, é colocada uma pulseira no final da embolização e poderá andar livremente no quarto enquanto recupera da intervenção. Se o acesso vascular foi na virilha, é colocado um penso a virilha e terá de ficar em repouso na cama 4 horas até poder começar a andar novamente. A recuperação é feita num quarto durante 4 horas. Geralmente as doentes não têm dores e poderão ter alta do hospital no próprio dia. Por vezes pode haver alguma dor ou náuseas e vómitos após a embolização, pelo que prescrevemos medicação para o efeito e geralmente não podem comer imediatamente após a embolização uterina. Praticamente todos os doentes após a embolização têm alta do nosso hospital no mesmo dia da embolização e podem ir para casa pelo próprio pé. Nos dias seguintes à embolização uterina, poderá haver algumas dores e náuseas controladas com a medicação que prescrevemos.

Com a embolização verifica-se uma interrupção da irrigação sanguínea do fibromioma e uma redução progressiva das suas dimensões, a sintomatologia das pacientes diminui ou desaparece e os fibromiomas deixam de crescer. Realizamos uma ressonância magnética 6 meses após a embolização uterina. Após a embolização os fibromiomas desaparecem só em 20% dos casos, podendo ser expulsos ou desfazer-se em fragmentos expulsos durante a menstruação. A maioria persiste no útero. Contudo, na maior dos casos a Ressonância Magnética revelará uma isquémia superior a 90%, quer dizer sem sangue, pelo que não voltarão a crescer. Os fibromiomas reduzem de dimensões, ocorrendo a maior redução durante os primeiros 6 meses, mas continuam a reduzir pelo menos até aos 5 anos.

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