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Prof. Dr. Tiago Bilhim

Embolização uterina – Tratamento ambulatório para fibromiomas

embolização uterina - fibromiomas

O que é a embolização uterina?

A embolização uterina é um procedimento minimamente invasivo utilizado para reduzir o tamanho dos fibromiomas uterinos. O objetivo é bloquear o suprimento sanguíneo dos fibromiomas.

Para isso, são injetadas nas artérias que os suprimem, partículas de reduzidas dimensões, de maneira a obstruir essas artérias. Sem suprimento sanguíneo, os fibromiomas encolhem e por vezes desaparecem, e por conseguinte, os sintomas que provocavam resolvem com o tempo.

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Em que casos é realizada a embolização uterina?

A embolização uterina é um procedimento utilizado há várias décadas, principalmente em contexto de urgência, para tratar sangramentos uterinos em casos de trauma, hemorragia pós parto e tumores ginecológicos com hemorragias severas.

Recentemente, tem sido utilizada para outros casos, nomeadamente em mulheres com fibromiomas uterinos sintomáticos e em alguns casos de adenomiose.

Os leiomiomas uterinos são tumores benignos decorrentes do crescimento de músculo liso no útero. São o tumor mais comum no sistema reprodutor feminino, com uma prevalência de cerca de 50-60% nas mulheres, podendo aparecer em qualquer altura desde a menarca até à menopausa, embora sejam mais comuns em mulheres entre os 35 e 49 anos de idade.

O tamanho dos leiomiomas pode variar desde poucos milímetros até vários centímetros. A probabilidade de causarem sintomas depende do seu tamanho e da localização do fibromioma no útero.

Em 30% dos casos, causam sintomas que alteram significativamente a qualidade de vida da mulher, devido a sangramentos vaginais excessivos (e anemia concomitante), sensação de peso e pressão pélvica anormais causada pelo aumento do tamanho do útero, urgência urinária pela compressão que exercem na bexiga, dor nas costas, pernas ou durante as relações sexuais e muitas vezes infertilidade.

Raramente, os leiomiomas uterinos podem sofrer degeneração maligna e transformar-se em sarcoma.

Os tratamentos comumente usados para tratar os fibromiomas uterinos são cirúrgicos, incluindo a miomectomia, que consiste na remoção dos miomas, uma a um ou, quando tal não é possível ou recomendado, a histerectomia, que consiste em remover todo o útero. Este último procedimento inviabiliza a capacidade da mulher ter filhos.

A embolização uterina é uma alternativa a estes tratamentos, não cirúrgica, segura, e que merece ser considerada.

embolização uterina - fibromiomas
embolização uterina - fibromiomas

Que exames são realizados antes do procedimento?

Antes de realizar a embolização uterina, é essencial documentar a presença de todos os fibromiomas, a sua localização e volume exatos, servindo esta avaliação inicial como referência para comparações após o procedimento.

Apesar de poder ser realizada por ecografia ginecológica por via endocavitária, a ressonância magnética é o método de imagem preferido, dada a sua maior capacidade de resolução e menor variabilidade entre observadores.

Quem realiza a embolização uterina?

É um procedimento realizado por uma equipa de médicos especialistas em Radiologia de Intervenção, que se especializaram no uso de aparelhos de Raio-X digital sofisticados.

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O que acontece durante o procedimento?

O procedimento é realizado num ambiente completamente esterilizado, com a paciente deitada e monitorizada.

Uma vez que é um procedimento não doloroso, não se realiza sobre anestesia geral. É apenas utilizada anestesia local, após esterilização na região da virilha ou punho.

Após a anestesia, o médico insere uma agulha na artéria femoral comum ou artéria radial (cerca de 1.5mm). Através deste acesso arterial, é colocado um fio-guia e um cateter dentro da artéria, através do qual se injeta produto de contraste, que permite ao médico, com a ajuda do aparelho de raios-X, orientar o cateter enquanto se desloca, dentro das artérias, até atingir as artérias uterinas.

O agente embólico vai sendo depois libertado dentro das artérias uterinas (direita e esquerda) e das artérias que nutrem os fibromiomas, até o médico confirmar que estas estão completamente bloqueadas e já não chega sangue aos miomas uterinos.

Quando o procedimento está concluído, o médico remove o cateter e aplica pressão na virilha ou pulso, na zona da punção, para evitar sangramentos. Quando a punção é realizada no pulso, pode ser necessário colocar um banda de compressão radial para este efeito. Fica apenas um pequeno penso curativo a proteger a minúscula abertura na pele.

Quanto tempo dura o procedimento?

É um procedimento que dura em média 90 minutos, realizado em ambulatório. Após terminar, é necessário que a paciente permaneça em observação, durante cerca de 4 a 6 horas, na sala de recobro, onde são realizadas monitorizações de rotina e vigilância. Após este período, a maioria dos pacientes pode ir para casa.

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Riscos e complicações do procedimento?

A embolização uterina é geralmente um procedimento seguro, minimamente invasivo e com tempos de recuperação bastante rápidos. Os riscos deste procedimento são baixos, principalmente quando realizados por uma equipa experiente. Somos, neste momento, o centro nacional com maior número de casos tratados por embolização arterial.

Contudo, como qualquer procedimento médico, existem alguns riscos associados, embora raros, nomeadamente o desenvolvimento de uma reação à anestesia local, o aparecimento de um hematoma ou hemorragia no local de punção ou infeção.

Algumas mulheres desenvolvem a síndrome pós-embolização, que consiste em dor pélvica, náuseas, vómitos, febre baixa, cansaço e desconforto. Estes sintomas podem durar de 2 a 7 dias, sendo tratados com medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios e por vezes anti-eméticos.

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Há contra-indicações para a realização deste procedimento?

Sim. Não deve ser realizada em casos em que a mulher está grávida, quando existe possibilidade de a mulher ter uma neoplasia pélvica, em casos de infecção pélvica activa ou recente. Mulheres com insuficiência renal ou alergia ao produto de contraste iodado não podem realizar este procedimento.

Qual é o seguimento após o procedimento?

É realizada uma ressonância magnética 6 meses após o procedimento para monitorizar a evolução das alterações dos fibromiomas e do útero.

embolização uterina - fibromiomas
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O que esperar do procedimento?

A embolização das artérias uterinas tem como objetivo o alívio sintomático, com retoma de ciclos regulares e da fertilidade.

O alívio dos sintomas relacionados com o volume dos fibromiomas geralmente demora duas a três semanas para ser percetível e, ao longo de um período de meses, os miomas continuam a encolher. A maioria das mulheres obtém alívio significativo dos sintomas nos primeiros três meses após o tratamento. A mulher pode notar a expulsão do fibromioma pela vagina.

Também afeta o período menstrual, que se torna menos abundante logo no primeiro ciclo e pode ter um impacto positivo na fertilidade.

Um pequeno número de mulheres entra na menopausa após o procedimento. O risco parece ser maior entre mulheres com 45 anos ou mais.

A recuperação normalmente leva apenas alguns dias em casa, antes que possa retornar ao trabalho e outras atividades de rotina.

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2021-10-15T17:43:47+00:00