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Prof. Dr. Tiago Bilhim

Síndrome de congestão pélvica – Embolização da veia ovárica

Síndrome de congestão pélvica - Embolização da veia ovárica

O que é a embolização da veia ovárica?

A embolização da veia ovárica é um tratamento minimamente invasivo para a síndrome da congestão pélvica, que resulta da presença de veias de calibre aumentado e varicosas na pélvis. O procedimento reduz o fluxo sanguíneo para as veias varicosas, o que alivia os sintomas da síndrome da congestão pélvica.

O que é a Síndrome de Congestão Pélvica?

A Síndrome da Congestão Pélvica é uma condição crónica que afeta cerca de 15% das mulheres com idades compreendidas entre os 18 a 50 anos de idade.

Consiste numa dor pélvica persistente por mais de 6 meses, na ausência de patologia pélvica conhecida.

É causada devido à incompetência das válvulas venosas, que normalmente ajudam no processo de retorno do sangue contra a gravidade desde a pélvis até ao coração.

A insuficiência das válvulas impede que encerrem adequadamente, permitindo que o sangue flua para trás e se acumule na veia, causando aumento da pressão e aumento do calibre da mesma.

Na presença de varizes pélvicas, o doente pode desenvolver vários sintomas inespecíficos, como sensação de peso e distensão pélvica, dor pélvica e nas costas, agravamento de dores menstruais, dores durante as relações sexuais e obstipação.

Por vezes desenvolvem-se também varizes nos membros inferiores e hemorroidas.

Quando existe suspeita clínica, o diagnóstico é confirmado através de métodos de imagem, nomeadamente venografia pélvica, ressonância magnética e tomografia computorizada.

Em doentes com diagnóstico de problemas de congestão pélvica, alguns medicamentos podem aliviar a dor, nomeadamente anticoncecionais orais, podendo ser úteis em casos leves a moderados.

O tratamento cirúrgico consiste em ligar as veias dilatadas com material de sutura, de forma a aliviar a pressão e a dor.

Outro tratamento utilizado nestes casos é a embolização da veia ovárica, minimamente invasivo, sem necessidade de cirurgia.

Síndrome de congestão pélvica - Embolização da veia ovárica

Quem realiza a embolização venosa ovárica?

A embolização da veia ovárica é realizada por Radiologistas de Intervenção, médicos especializados em tratamento endovascular, com recurso a Imagens de Raio-X digital.

O que acontece durante o procedimento?

Este procedimento é realizado numa sala de radiografia digital, num ambiente completamente esterilizado.

Com o paciente deitado, o radiologista de intervenção irá anestesiar a região da virilha ou pescoço, com recurso a anestesia local. Após anestesiar, insere um cateter de 2-3 mm de calibre na veia femoral comum ou veia jugular interna (dependendo se o procedimento se inicia na virilha ou pescoço, respectivamente).

Ao longo do procedimento, vai sendo injetado pelo cateter contraste endovenoso que, com a ajuda das imagens de Raio-x, permite visualizar os vasos sanguíneos, mapeando o percurso do cateter até ao local de tratamento, a veia ovárica.

Quando chega ao local, o radiologista de intervenção injeta pelo cateter um agente embólico, que podem ser coils metálicos ou agentes esclerosantes, que permanecem dentro do vaso sanguíneo, bloqueando o fluxo dentro destas veias dilatadas. Ao desviar o sangue das veias anormais, permite que seja redireccionado para veias de normal morfologia, reduzindo assim os sintomas da síndrome da congestão pélvica.

Quando o procedimento for concluído, o médico remove o cateter e aplica pressão no local da punção para evitar sangramentos.

Quanto tempo dura o procedimento?

A embolização venosa ovárica é um procedimento minimamente invasivo, realizado em ambulatório e dura em média cerca de 90 minutos.

Os pacientes ficam depois em observação no recobro durante 2 a 3 horas após o procedimento.

Após este período, a maioria dos pacientes volta para o domicílio e retorna às atividades diárias normais em 48 horas.

Riscos e complicações do procedimento?

É um procedimento seguro, principalmente quando realizado por uma equipa experiente. Existem alguns riscos minor, que incluem hematomas no local de inserção do cateter e pequeno risco de infeção do local de punção.

É importante observar que, embora seja improvável, em alguns casos, outras veias pélvicas podem exigir tratamento adicional no futuro.

Síndrome de congestão pélvica - Embolização da veia ovárica

Há contraindicações para a realização deste procedimento?

Em casos de insuficiência renal ou alergia a contraste iodado, não é possível realizar este procedimento.

O que esperar do procedimento?

O objetivo da embolização da veia ovárica é o alívio dos sintomas decorrentes do síndrome de congestão pélvica. A embolização é muito eficaz no tratamento, sendo reportados na literatura taxas de sucesso superiores a 95% e a grande maioria dos pacientes relatam melhoria significativa dos seus sintomas.

A embolização é um procedimento muito menos invasivo do que a cirurgia aberta convencional. Como resultado, há menos complicações e a permanência no hospital é relativamente breve, podendo retornar a casa no próprio dia.

O risco de hemorragia é menor do que com o tratamento cirúrgico tradicional e não há incisão cirúrgica óbvia nem cicatrizes associadas.

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2021-10-22T17:47:18+00:00